PASOLINI E A MÚSICA

Sem formação musical, Pasolini manteve com a música uma relação poética, livre, mas intensa. Segundo Laura Betti, Pasolini “tinha temor à música, porque ela o possuía completamente. Ele a chamava freqüentemente de Sua Majestade”. O gosto musical de Pasolini era bastante eclético: de Rita Hayworth, homenageada em sua novela Amado mio, à música clássica, que sacraliza o subproletariado em Accattone, Mamma Roma e La ricotta; de Domenico Modugno, que canta os créditos iniciais de Uccellacci e uccellini, à música folclórica internacional, que irrompe em Il Vangelo secondo Matteo, Edipo re e Medea… Neste último filme, é genial o uso que Pasolini faz de um canto tradicional do Japão na cena em que os argonautas entoam a canção que Orfeu tira de sua lira: num paralelismo musical, ele remete os gregos que cantam ali em japonês a uma cena de seus filmes prediletos, Biruma no tategoto (A harpa da Birmânia, 1956), de Kon Ichikawa, onde os japoneses fazem uma pausa na batalha para cantar, enquanto o soldado-músico dedilha seu instrumento em plena selva, como Orfeu…

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Filed under NOTA DE RODAPÉ

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